Lucas Mendes do 2º ano A com seu berimbau,que é um instrumento de corda, de origem angolana, também conhecido como berimbau de peito em Portugal ou como hungu em Angola e grande parte do continente africano.
Cauê - capoeirista do 2º ano A
Sobre a Escola
A Escola de Capoeira Água de Beber foi criada em 20 de junho de 1998, durante o XVIII Encontro de Capoeira promovido pelo Mestre Vuê em Petrópolis. Ao criar uma Escola de Capoeira, Mestre Vuê tem como objetivo transmitir seus conhecimentos através de um método que visa: - A técnica acima da força;- O respeito às contribuições dos antigos Mestres e criadores dessa arte;- A preservação dos fundamentos da Capoeira;- A utilização da Capoeira como um valioso instrumento educativo, auxiliando no bem-estar físico, intelectual e moral do indivíduo;- O reconhecimento de nossa arte como ferramenta para a integração e inclusão social.- A valorização da Capoeira como patrimônio artístico, histórico e cultural do Brasil.Por que "Água de Beber" ?O significado da expressão "Água de Beber" tem a ver com as características que buscamos na água que bebemos: vitalidade, transparência, pureza, boa energia, saúde...Além disso, essa expressão nos remete às louvações e aos refrões das antigas ladainhas, como esta a seguir:
Bahia, minha Bahia!
Capital é Salvador,
Quem não conhece a Capoeira,
Não pode lhe dar valor,
Capoeira veio da África,
Africano ensinou,
Todos podem aprender,
General e até doutor,
Quem quiser aprender,
Venha aqui em Salvador,
Procure o Mestre Pastinha,
Ele é o professor, camarada! Água de Beber!
Iê! Água de Beber, camarada!
Ê! Aruandê!
Iê! Aruandê, camarada!
Ê! Viva meu Mestre!...
Segundo Mestre Vuê "minha idéia não era criar um "grupo" de Capoeira, mas sim uma escola, onde as diferenças das pessoas fossem respeitadas e a disciplina fosse um instrumento para a educação e o desenvolvimento individual e coletivo".
O Brasil a partir do século XVI foi palco de uma das maiores violências contra um povo. Mais de dois milhões de negros foram trazidos da África, pelos colonizadores portugueses, para se tornarem escravos nas lavouras da cana-de-açúcar. Tribos inteiras foram subjugadas e obrigadas a cruzar o oceano como animais em grandes galeotas chamadas de navios negreiros. Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro foram os portos finais da maior parte desse tráfico.
Ao contrário do que muitos pensam, os negros não aceitaram pacificamente o cativeiro; a história brasileira está cheia de episódios onde os escravos se rebelaram contra a humilhante situação em que se encontravam. Uma das formas dessa resistência foi o quilombo; comunidades organizadas pelos negros fugitivos, em locais de difícil acesso. Geralmente em pontos altos das matas. O maior desses quilombos estabeleceu-se em Pernambuco no século XVII, numa região conhecida como Palmares. Uma espécie de Estado africano foi formado. Distribuído em pequenas povoações chamadas mocambos e com uma hierarquia onde no ápice encontrava-se o rei Ganga-Zumbi, Palmares pode ter sido o berço das primeiras manifestações da Capoeira. Desenvolvida para ser uma defesa, a Capoeira foi sendo ensinada aos negros ainda cativos, por aqueles que eram capturados e voltavam aos engenhos. Para não levantar suspeitas, os movimentos da luta foram sendo adaptados às cantorias e músicas africanas para que parecessem uma dança. Assim, como no Candomblé, cercada de segredos, a Capoeira pode se desenvolver como forma de resistência.Do campo para a cidade a Capoeira ganhou a malícia dos escravos de 'ganho' e dos frequentadores da zona portuária. Na cidade de Salvador, capoeiristas organizados em bandos provocavam arruaças nas festas populares e reforçavam o caráter marginal da luta. Durante décadas a Capoeira foi proibida no Brasil. A liberação da sua prática deu-se apenas na década de 30, quando uma variação da Capoeira (mais para o esporte do que manifestação cultural) foi apresentada ao então presidente, Getúlio Vargas. De lá para cá a Capoeira Angola aperfeiçoou-se na Bahia mantendo fidelidade às tradições, graças principalmente ao seu grande guru, Mestre Pastinha , que jogou Capoeira até os 79 anos, formando gerações de angoleiros .
Contam esta história em África, à volta da fogueira. Façam de conta que também lá estamos a ouvir o contador desfiar a história, enquanto tange o corá, queé um especial instrumento de cordas esticadas sobre uma caixa de ressonância, feita de meia cabaça revestida de couro. Plim... Plam... Plim... Conseguem ouvir? Dantes, muito antes de os homens se terem espalhado pela Terra, os bichos não eram como são hoje. Por exemplo: a zebra tinha a pele igual à que o leão tem e o leão, imaginem a excentricidade, tinha a pele às riscas como tem a zebra. Devia ficar-lhe bem... A zebra que, nessa época, passava por amiga do leão, disse-lhe, um dia: - Estive a pensar que devias mudar de aspecto. Assim, com essa pele tão vistosa, chamas demasiadamente a atenção e deves ter dificuldade em esconder-te, quando queres caçar de surpresa. O leão reconheceu que, efectivamente, já sofrera alguns desaires na caça à conta da sua bizarra pele às riscas. - Queres trocar pela minha? - propôs a zebra. Ela, sem riscas, parecia-se mais com um burro, o que não era nada lisonjeiro para a vaidade da zebra. No fundo, ela invejava a pele listada do leão. Acertado o negócio, trocaram de pele. Naquele tempo, tudo era fácil. Vendo-se vestida de riscado, como tanto ambicionara, a zebra foi ter com a restante bicharia, a avisar, a torto e a direito: - Cuidado que, agora, o leão é que anda com a minha pele. O leão não gostou. Aquela badalação era prejudicial aos seus intentos e aos seus pergaminhos de majestade. De modo que, desde essa altura, que ele anda a exigir à zebra a devolução da pele. Onde quer que veja uma a jeito, salta-lhe para os lombos e tenta com as garras arrancar-lhe a pele. Até agora ainda não conseguiu recuperá-la, o que é pena. Quem é que não gostava de ver um leão às riscas?